Novo interceptor garante melhoria definitiva na balneabilidade das praias continentais de Florianópolis
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Após décadas de problemas crônicos no sistema de esgotamento sanitário, a região continental de Florianópolis celebra a resolução de uma demanda histórica: a publicação do contrato para a instalação do novo Interceptor G no trecho da Praia do Balneário do Estreito. A obra, orçada em R$ 4,6 milhões, foi viabilizada após uma luta incansável da comunidade e parecer detalhado do gabinete do deputado estadual Mário Motta (PSD) enviado à Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc), mas que chegou, também, aos autos da Ação Civil Pública nº 5009661-72.2015.4.04.7200 .

O contrato, já oficializado, prevê a substituição do antigo interceptor, uma tubulação deteriorada enterrada na areia desde a década de 1980, constantemente afogado, que em limpeza recente foram retirados cerca de 50 m³ de areia, por um novo traçado em via pública, desativando definitivamente o segmento problemático na orla. A obra, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027, atende a uma reivindicação histórica da comunidade, impulsionada por ações na justiça federal, em tramitação na 6ª Vara Federal de Florianópolis. A medida promete eliminar extravasamentos recorrentes de esgoto na praia do Balneário, que potencializa a situação de água imprópria do local, e reduzir a infiltração de areia e água marinha na tubulação, responsáveis por assoreamentos e perdas.
Há pouco mais de um ano, em janeiro de 2025, o gabinete do deputado já comemorava os primeiros frutos dessa luta. Naquela ocasião, denúncias encaminhadas à Aresc e à Casan resultaram em melhorias imediatas, como a manutenção de poços de visita, desassoreamento com equipamentos de alta potência e intensificação de fiscalizações no programa "Se Liga na Rede", em parceria com o Governo Municipal. Como resultado, a Praia do Jardim Atlântico foi classificada como própria para banho pela segunda vez em 28 anos, com análises do Instituto do Meio Ambiente (IMA) mostrando concentrações de Escherichia coli abaixo de 800 por 100 ml em quatro das cinco últimas coletas.
Esses avanços iniciais foram destacados após denúncias da época, que apontavam mais de 800 vazamentos registrados apenas em 2022 no Sistema de Esgotamento Sanitário (SES) do Continente. "Há décadas a comunidade faz cobranças reiteradas por soluções para os despejos de esgoto na Praia do Balneário, sem que nada efetivo fosse feito. Encaminhamos ofícios aos órgãos solicitando providências, visando sanar esse grave problema. Enfim, estamos cada vez mais perto de uma solução definitiva", destaca o deputado Mário Motta.
Agora, com o contrato assinado para o Trecho 1 (da Ponta do Leal à Marinha), o foco se volta para os segmentos restantes: os Trechos 2 e 3, que se estendem da Marinha até Barreiros, incluindo a Estação Elevatória de Esgoto (EEE) GB. Em ofício encaminhado na última semana à Aresc (nº 008/2026), o deputado pressiona pela elaboração imediata de projetos para esses trechos, argumentando que as estruturas atuais, com fissuras, reparos paliativos e influência de marés, não prestam serviço adequado há décadas. O documento, amparado na Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011), solicita relatórios de vídeo inspeções, análises de intrusão marinha e atualizações sobre equipamentos em estações elevatórias, como retentores de sólidos grosseiros.
"Apesar dessa vitória inicial, não vamos parar por aqui. Já estamos pressionando pela contratação dos demais trechos para garantir uma solução integral. Além disso, essas informações embasarão questionamentos sobre a tarifa de esgoto, já que os usuários pagam por um serviço precário há anos", pontua o parlamentar. "Com praias balneáveis, levamos mais qualidade de vida, lazer e valorização à região, muitas vezes deixada de lado pelo poder público", completa.

