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[Por Maria Eduarda Calliari] As raízes do Carvanal de Santa Catarina

  • 15 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Artigo de Maria Eduarda Clasen Calliari, assessora parlamentar do deputado estadual Mário Motta


Há quem pense que o Carnaval de Santa Catarina é apenas uma festa emprestada, uma celebração que chegou tarde ao Sul e que, por isso, carrega menos verdade. Mas quem caminha pelas ruas de Laguna, Joinville, Florianópolis, Itajaí ou Joaçaba em fevereiro sabe: o que pulsa aqui não é imitação, é memória viva, é identidade. É aquilo que não se explica, apenas se sente.



Em cada avenida, as pessoas se reconhecem. Não importa se é no brilho das escolas de samba da Grande Florianópolis, na energia dos blocos que se multiplicam pelo Estado, ou no luxo das alegorias de Joaçaba, que transformam uma noite inteira em catarse coletiva. O Carnaval daqui tem rosto, tem sotaque, tem alma. Ele nos lembra que pertencemos a algo maior do que nossas rotinas apressadas: pertencemos uns aos outros.


Por muito tempo, o Carnaval de Santa Catarina viveu à sombra dos gigantes do Sudeste e do Nordeste. Hoje, porém, o estado assume com força sua própria identidade carnavalesca diversa, crescente e profundamente entrelaçada à vida cultural e econômica das cidades que o compõem.


Hoje, Santa Catarina reúne cerca de 20 a 25 escolas de samba ativas, distribuídas entre essas cidades. O carnaval mobiliza desde a costureira do bairro até os setores de hotelaria, alimentação e transporte. Na alta temporada, o estado costuma receber milhões de visitantes, e o carnaval funciona como a última grande onda turística antes do encerramento do verão. O resultado é um fluxo significativo de receitas para os municípios.


Há famílias que vivem o ano inteiro para ver a escola entrar na avenida. Há comunidades que se sustentam, literalmente, dessa festa, costureiras, artesãos, músicos, coreógrafos, ritmistas, cozinheiras, carregadores, todos movidos por uma paixão que não conhece calendário. E há, principalmente, a criança que cresce sentindo o cheiro da cola quente nas fantasias, ouvindo o ensaio ecoar na rua, aprendendo que sonhar junto é mais poderoso do que sonhar sozinho.


O carnaval de Santa Catarina é resistência. É a prova de que alegria também é trabalho, que cultura também é luta, que tradição também se constrói no presente. Não importa quantas vezes tentem reduzi-lo a “bagunça”, “gasto” ou “moda”. Ele persiste porque é raiz, e raiz não se arranca. Raiz se cultiva.


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